quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Catador ganha as plateias com história que surpreende

A Angá, Associação para a Gestão Socioambiental do Triângulo, em parceria com o Festival Goma de Artes Integradas, promove nesta sexta-feira, dia 2, na sala Roberto Rezende, da Oficina Cultural, a quarta edição do projeto Pense Repense – Diálogos sobre Ambiente e Cultura. 

Seguindo a mesma linha das outras três edições do Pense, que propiciaram, este ano, o debate de temas de grande impacto ambiental, a exemplo da reforma do Código Florestal, no momento em votação no Senado, a Angá propõe a discussão da realidade dos catadores de recicláveis de Uberlândia, por meio da exibição do filme Efeito Reciclagem, de Sean Walsh. “Queremos promover uma conversa entre os catadores de recicláveis de Uberlândia e os moradores da cidade”, diz Graziela Pascoli. Segundo a coordenadora do projeto Pense Repense, “a sociedade precisa conhecer de perto a realidade das pessoas que recolhem os resíduos da cidade, dando a eles a destinação correta”. Para o debate foram convidados o produtor Manu Muniz, responsável pelo trabalho de pesquisa do filme e os representantes de duas cooperativas de catadores de recicláveis, de Uberlândia, Marcos Donizete, da Coru, e Leandro Leal, da Cooperudi

Efeito Reciclagem não tem o que reclamar deste ano que está se encerrando. Premiado merecidamente como melhor longa no respeitado Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, realizado na Cidade de Goiás, também foi destaque em festivais em Portugal e Inglaterra. Sean Walsh não desperdiçou a boa história que lhe caiu nas mãos, produzindo uma deliciosa narrativa sobre a vida do catador Claudinei Alvarenga, pai de quase quarenta filhos e trabalhador orgulhoso da profissão. Na direção de uma caminhonete velha, o comerciante passa o dia negociando com donos de ferro velhos e empresas de reciclagem, na grande metrópole brasileira. Contando sua história, Claudinei nos revela seu talento para a sedução, conquistando além das muitas mulheres com quem casou, os amantes do cinema.

Texto: Betânia Côrtes Bortolozo